Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

Fui demitida... E estou adorando!


Ao ler um título como esse, as pessoas devem pensar "pegou uma bolada de rescisão". Só que não. Eu sou PJ e, na teoria, não tenho qualquer vínculo empregatício. É como se fosse um "freela fixo", mas nesse caso um freela fixo que vem desde 2013. Pois é. Em setembro de 2013 comecei nessa saga, fui oficialmente reconhecida como prestadora de serviços para esta empresa em abril de 2014 e desde então vivo uma história de altos e baixos: tem contrato, tem salário; não tem contrato, não tem salário.

Mitos do home office


Toda vez que eu conto que trabalho de casa para alguém que não é da mesma área que eu ou que nunca fez isso, as pessoas ficam meio deslumbradas. Eu não as culpo, eu também ficaria se tivesse que gastar horas no trânsito todo dia para ir a um ambiente chato, ficar lá por horas, aguentando gente chata, fazendo algo que eu detesto (já passei por isso, inclusive). E eu já logo a prevejo tecendo elogios para a maravilha que deve ser trabalhar da sua casa, sem precisar se preocupar com o trânsito, almoçar fora, acordar cedo... Olha, o home office tem várias vantagens, como a possibilidade de trabalhar de pijama e com o cabelo despenteado quase sempre, a redução nos custos com transporte e alimentação são a melhor coisa, definitivamente. Mas, meus queridos, se tem algo que exige muita disciplina, essa coisa é fazer algo a distância, trabalhar principalmente.

E quando eu falo disciplina, eu quero dizer sobre o fato de respeitar a empresa para a qual você trabalha, mas também respeitar a si mesmo. Quando eu trabalho de casa, confesso, se eu não tenho nenhum compromisso ou algo para fazer que não diga respeito ao meu trabalho, eu acordo dez minutos antes do horário do experiente, que é o tempo que eu levo para lavar o rosto, preparar algo para comer e ligar o meu computador - e isso é maravilhoso. Mas se eu perder a hora, não tenho como colocar a culpa no trânsito, na chuva ou no universo, a responsabilidade é unicamente minha. E respeitar a empresa quer dizer não tentar bancar o espertinho: já estou sendo privilegiada de não precisar sair da minha casa para trabalhar, o mínimo que devo fazer é ser tão produtiva quanto seria num escritório ou até mais. Eu também sigo o padrão do escritório para o horário de almoço: tiro uma hora, como faria normalmente. O problema está justamente no final do expediente.

Caso você tenha outro compromisso após o trabalho, isso não é um problema tão grande, como quando, na maior parte do meu tempo trabalhando com home office, eu tinha que ir para a faculdade. Não tinha como eu perder o horário, pelo contrário: eu ficava sempre de olho no relógio, porque o tempo que eu tinha para me arrumar, comer alguma coisa e chegar a tempo de pegar o início da aula era cronometrado, se tivesse trânsito, já era! Chegava atrasada. No entanto, nos períodos de férias da faculdade, ou agora que o curso é à distância (horrível!!!), a coisa mais fácil que existe é passar do horário do expediente.

Aí você me diz: "Ah, mas isso acontece no escritório também, às vezes". Sim, acontece. Mas acontecer uma vez ou outra é uma coisa. Trabalhar das 08h00 às 21h00 todos os dias é outra coisa. Atualmente, minha demanda no trabalho não exige tanto assim de mim, mas isso era algo MUITO frequente quando a demanda era maior. As pessoas acham que porque você trabalha em casa, você trabalha menos, mas isso não é verdade. A coisa mais comum é acontecer exatamente o contrário. Eu simplesmente perdia a noção do tempo e passava, literalmente, o dia todo na frente do computador e quando eu era nova na empresa era pior ainda porque eu queria agradar o chefe, então se ele me pedisse algo, eu fazia, não importava o horário. Esse foi um período em que eu me alimentei pessimamente, vivia estressada e descontava tudo em cerveja e açúcar e não fazia um exercício sequer, também deixei de cultivar quaisquer hobbies, porque eu estava ocupada demais trabalhando e aos finais de semana saia com pessoas do trabalho e, ainda que eu fizesse coisas divertidas (normalmente, em barzinhos, o que também não era muito saudável, levando em consideração a minha dieta), eu estava sempre falando sobre trabalho, até no meu tempo livre. Tanto estresse e maus costumes me deixavam doente com frequência. Tudo que eu não peguei de gripe a minha vida toda, eu peguei naquele ano. Quando melhorava uma coisa, outra aparecia, era uma bosta. Conclusão: eu descuidei muito de mim e me dediquei tanto ao trabalho a ponto de influenciar minha saúde.

Hoje em dia, eu trabalho fora do expediente, porque isso é algo que acaba acontecendo vez ou outra nessa área e não há muito o que fazer, mas eu sou muito mais seletiva com o que estou fazendo, sempre penso no porquê estou fazendo, estabeleço prioridades e, na medida do possível, tento ser fiel aos meus horários. Sem bancar a espertinha, mas também respeitando a mim mesma enquanto profissional e pessoa. Também passei a dedicar algum tempo para ter hobbies, tipo escrever, andar de patins, colorir e ver séries. Às vezes, fico com a consciência pesada, porque tenho coisas do trabalho para fazer, mas se não são tão urgentes, eu posso sim fazê-las amanhã.

Outra coisa que acontece com frequência quando você tem um sistema de trabalho com home office, é que as pessoas não te levam a sério. Isso acontece muito com nossos parentes mais velhos, mas também com qualquer um que não esteja familiarizado com a coisa, você diz que trabalha em casa e, como isso é meio que uma novidade para eles, é como se você não tivesse um trabalho at all. Como eu falei anteriormente, algumas pessoas acham que é mais fácil trabalhar de casa, que você acaba trabalhando menos, outras nem acham que isso pode ser considerado trabalhar. Um conhecido me disse que trabalhou em casa por um ano até ir para o escritório físico e o pai dele só acreditou que ele não passava o dia no computador jogando League Of Legends quando ele passou a ter essa rotina de acordar cedo, sair de casa, pegar trânsito, passar o dia fora e chegar à noite. Ele ouviu um "agora você arrumou um trabalho de verdade?", só que o trabalho era o mesmo, a diferença é que agora precisava ser feito em outro lugar (isso acontece por conveniência, situações específicas, que exigem a equipe reunida). Também já vi histórias de pessoas que precisavam ficar de babá de seus irmãos mais novos ou ir ao mercado/ açougue/ padaria para suas mães porque elas achavam que eles estavam fazendo nada no computador.

Além de tudo isso, você ainda pode ser azarado de ter problemas com a empresa que fornece internet ou energia na sua casa e precisar sair correndo para a casa de um parente ou amigo ou procurar uma lan house, o que é uma raridade, hoje em dia. Isso acontece, cara, e é desesperador, principalmente quando você tem um milhão de coisas para fazer.

Basicamente, sim, é gostoso trabalhar em casa, mas se você souber se respeitar, respeitar a pessoa/ empresa para quem você está trabalhando. Você precisa se concentrar no que está fazendo e não deixar que as coisas legais do seu lar te distraiam. Você também vai precisar de uma dose extra de paciência, principalmente quando alguém te perguntar "ué, você fica o dia todo naquele computador, da onde veio esse dinheiro?!", hahaha.

Tem histórias semelhantes sobre home office? Conta pra mim! É sempre bom ter alguém que entenda. :)

Como é trabalhar com internet?

15 coisas que eu aprendi com o meu TCC



O Aprimoradamente é um blog sobre experimentar e eu estive, pela segunda vez, experimentando o desespero e o estresse que é estar diante de um trabalho de conclusão de curso. Se você que está lendo isso ainda não passou por isso, eu espero que você passe em breve.

Um trabalho de conclusão de curso é muito mais que apenas um trabalho acadêmico. Ele te ensina a amadurecer, a enfrentar desafios, a aprender a lidar com pessoas - se o seu trabalho não é em grupo, você precisa falar com pessoas para poder desenvolver alguma parte dele, sempre tem mais de uma pessoa envolvida no processo - e, mais do que tudo isso, o seu TCC te ensina coisas sobre você. Você precisa aprender a gerir pessoas, a gerir o processo, gerir o seu tempo, prioridades e gerir suas emoções para que tudo saia como você planejou e, às vezes, não sai e você precisa simplesmente aprender a lidar com isso.

Atualmente, estou finalizando minha graduação, meu TCC foi desenvolvido em um grupo com outras 3 pessoas, ou seja, somos 4, e todos bastante competentes e dedicados. Meu primeiro TCC foi há 3 anos e meio, quando concluí o nível técnico. Achei que, por já ter passado por isso antes, estaria mais do que pronta para passar novamente e enfrentaria com muito mais facilidade. De fato, eu aprendi a ser menos centralizadora e a tentar compreender melhor as pessoas da equipe, mas de maneira nenhuma foi mais fácil.

Sendo assim, decidi listar alguns pontos que acho que foram bem importantes para mim durante ambos processos. Acho que podem servir pra alguém e vamos ver se eu seguirei meus próprios conselhos quando estiver diante do TCC da pós-graduação. :P


1 - Cronogramas com check lists são muito úteis.

Você pode optar por separar um período do dia para estudar, você pode optar por estudar só aos finais de semana, mas uma coisa é fato: se você tiver um cronograma e for riscando o que tem pra fazer, você sempre sabe onde parou, o que falta e quanto tempo tem. Procure estabelecer a sua data limite para antes da data limite real de entrega, assim, se houver algum imprevisto, você tem um tempo extra para ajustar.

2 - Quando seu professor disser "aproveite essa última semana de férias" não acredite nele.

Você vai ouvir de um professor antes de começar seu TCC que você ainda pode aproveitar mais essa semaninha... Acontece que se você deixar tudo pra próxima semana não vai dar tempo de entregar. Mesmo que você não se dedique tanto, procure dar uma olhada, dar o pontapé inicial e já deixar tudo encaminhado, assim não tem que correr contra o tempo. (PS.: esse professor pode ser seu orientador também...)

3 - Procrastinar só vai te deixar mais nervoso.

Aquele velho clichê de "não deixe pra depois o que pode ser feito agora", eu sei que dá preguiça, mas só faça. Vai poupar bastante estresse no futuro.

3 - Dê prioridade para o que o seu coordenador diz.

A forma como seus professores administram um trabalho de conclusão pode variar. Escute sempre o que o coordenador do trabalho orienta, ele é quem dá "a canetada final", ainda que os outros também avaliem.

5 - Descanso é importante.

Se você está cansado, não pensa direito. Se não pensa direito, o trabalho sai mal feito ou não sai. Simples assim.

6 - Não deixe a ABNT por último.

As normas ABNT não são o monstro de 7 cabeças que todo mundo diz. Ao invés de simplesmente começar a escrever um monte de coisa num documento em branco no Word e só pensar em ajustar nas normas quando for entregar, vá ajustando aos poucos. Poupe seu tempo e já deixe o documento formatado, com capa e todas aquelas coisas obrigatórias, e só vá ajustando quando ver que algo está fora do lugar, quando for conferir o documento de tempos em tempos.

7 - Nem as referências.

A dica da ABNT serve para as referências. Depois de um ano ou seis meses de trabalho, dificilmente você vai se lembrar do site que acessou ou do livro que consultou para começar a entender o tema. Vá organizando as referências junto com o desenvolvimento do trabalho.

8 - Se algo não dá certo, analise com calma as alternativas, não gaste energia procurando um culpado, concentre-a em buscar uma solução.

Desentendimentos vão acontecer, mas tenha sempre em mente que você perde tempo enquanto discute com o seu colega e, durante o desenvolvimento de um trabalho assim, tempo é algo muito precioso. Foque na solução, depois vocês resolvem os conflitos pessoais (que muitas vezes acabam confundidos com os conflitos acadêmicos e envolvidos nas discussões).

9 - Faça suas anotações num mesmo lugar/ caderno - organize-se.

Se você anotar cada informação num lugar diferente, pode perder algo quando precisar recapitular tudo.

10 - TCC é portfólio, empenhe seu melhor.

Quando você vai procurar um emprego na sua área, você se destaca se tem alguma experiência, por isso é importante sempre arquivar seus bons trabalhos. Se você não teve experiência profissional, leve seu trabalho a sério, não como só mais um protocolo acadêmico que você precisa cumprir. Se fizer isso, você estará um pouco mais preparado para o que vai enfrentar no mercado.

11 - Inspiração surge de conteúdo.

Na área da comunicação, a gente ouve falar muito dos "gênios criativos natos", eu não sou um deles, mas não sou menos capaz por isso. Não vai adiantar ficar olhando pra barra de busca do Google ou pro documento em branco por horas, esperando que o trabalho brote da sua imaginação. Criar é um processo, por isso vá atrás de cases semelhantes ao que você pensa em trabalhar, leia bastante a respeito, converse com os seus professores, esteja munido de conteúdo antes de tentar desenvolver o trabalho, vai ajudar a fluir melhor.

12 - Mantenha as orientações em dia.

Se o seu professor separa as aulas das quintas-feiras para atendimento de trabalho, certifique-se de ter algo para mostrar pra ele. Não precisa ser todos os dias, mas procure não deixar para mostrar tudo na semana anterior à entrega do trabalho: a sensação é a de que as dúvidas vão triplicar e o tempo ser reduzido na metade.

13 - Você vai acabar perdendo rolês por causa do seu TCC. Sinto muito.

Estabeleça prioridades. Seus amigos estarão lá quando você entregar o seu trabalho, o barzinho, a balada e os crushs também. Você não vai ter tempo para refazê-lo, por isso, faça-o bem feito, depois você chama todo mundo pra comemorar o trabalho entregue e compensar os rolês perdidos.

14 - Tenha sempre um backup de seus arquivos que pode ser acessado de qualquer lugar.

Em algum momento, no meio do dia, você vai precisar checar uma informação do seu trabalho em um lugar aleatório. Certifique-se de que você terá acesso a ele. Serviços como o do One Drive, iCloud e afins ajudam muito.

15 - Acalme-se:  se você se dedicou e estudou, colocou a mão na massa, você sabe o conteúdo. O professor pode rosnar, mas não morde.

Você não vai aprender o conteúdo de um trabalho que levou seis meses ou um ano inteiro para ficar pronto em dois dias. Certifique-se de sempre saber o que acontece durante o processo, mesmo que você não seja responsável pelo desenvolvimento daquele trecho do trabalho. Participe e discuta soluções e ideias. Garanta, desde o início do trabalho, que você saiba responder quaisquer perguntas que sua banca possa fazer.


A minha banca da graduação aconteceu no último dia 10/11 e deu tudo certo! Eu não pude seguir todos os conselhos acima, porque aprendi alguns deles durante o processo, mas outros foram muito úteis para o sucesso do trabalho, que foi muito elogiado pela banca, modéstia à parte, hehe. Dá uma olhada na cara de felicidade desses universitários cansados:

Professor não é padre, sala de aula não é feudo!



Sabe aquela história de que alguém tem que fazer o trabalho sujo? Então, mesmo sendo "a parte feia" alguém tem que fazer e essa pessoa acaba se apegando ao seu trabalho, porque, querendo ou não, aquilo é o trabalho dela e ela se empenha nisso.

Eu já estive nessa posição - hoje, não mais -, então posso falar com propriedade. O que eu nunca fiz foi ensinar algo para um grupo de pessoas com interesses comuns, desse modo, professores, me permitam meter o bedelho um pouquinho na profissão de vocês, principalmente, como alguém que está do outro lado, na parte que fica fora do palquinho, e, muitas vezes, não tem voz na sala de aula por n motivos, sejam eles originados pelo professor ou pelo aluno.

É realmente difícil falar sobre o professor. Me faltam palavras para descrever o quanto admiro tal ocupação (é sério!). Isso se aplica, necessariamente, quando se tratam de professores específicos que passaram e marcaram minha vida. Alguns sabem da admiração que sinto por eles, outros nem sonham. Mas é algo no nível "CARA, EU QUERO SER COMO VOCÊ QUANDO EU CRESCER, ME ENSINA!" e juro juradinho que não estou exagerando.

Todos nós temos aquele professor ou aqueles professores que marcaram nossas vidas. Seja no jardim de infância ou na faculdade, alguns ensinamentos (não apenas acadêmicos) levamos conosco para sempre. E é aí que pode morar um problemão!

Eu vejo o papel do professor na vida de um aluno como uma pré-adolescente vê seu cantor ou ator favorito no auge de sua carreira. Falo da questão da admiração. O que ele diz e faz influencia - e muito - no pensamento e, muitas vezes, nas ações de quem está assistindo e absorvendo aquela informação. Não estou dizendo que se você for professor você não deve fumar porque seus alunos vão fumar também, você tem todo o direito de fazer o que bem entender com a sua vida pessoal, ela é toda sua. Minha analogia diz respeito apenas ao quadro acadêmico, vulgo, dentro da sala de aula.

Acredito que alguns professores devem tomar mais cuidado com a forma com a qual eles escolhem ensinar algum conteúdo. Não! Não estou censurando ninguém, tire esta ideia maluca da cabeça! Estou dizendo que se eu quisesse informação parcial, eu me informaria através de veículos como Folha de S. Paulo, Brasil 247, O Antagonista ou qualquer coisa desse tipo, citando a temática política como exemplo, ao invés de acompanhar vários veículos distintos (os citados inclusos) e quem realmente acredita nas ideologias declaradas pela esquerda, direita e centro, como costumam clamar por aí no discurso arraigado dos militantes e ativistas.

Nem sempre, em uma sala de aula, uma temática polêmica vai gerar um debate. Digo isso porque já vivenciei tal situação em várias ocasiões. Às vezes, as pessoas não se sentem a vontade e seguras o suficiente para contestar o que está sendo dito e outras simplesmente não se importam, só querem assinar a lista de chamada para que possam ir embora. Dessa forma, o palestrante da vez detém o poder de se pronunciar sobre qualquer assunto diversas vezes e, sim, o (des)aprendizado também ocorre por repetição! Quem não teve que decorar a tabuada na terceira série?

"Ah, mas eu ensino matemática/ inglês, não história/ sociologia, isso não é pra mim." Errou de novo! Você pode não influenciar os 40 e tantos alunos da sua sala de aula superlotada, mas alguém está ouvindo o que você está dizendo e está absorvendo aquilo. E, no seu lugar, eu não gostaria de ser responsável pela desinformação e emburrecimento de um indivíduo, quando, na verdade, a função é fazer exatamente o oposto. Eu entendo que a gente acaba colocando um pouquinho de nós mesmos no que a gente faz, nossa essência está presente em nossa ocupação, mas isso não é pretexto para se tentar doutrinar uma turma, ao invés de ensinar. A desculpa de "pensamento crítico" se desfaz quando você, claramente, expõe seu ponto de vista consecutivas vezes e não mostra o que o outro lado diz a respeito, ou ainda, quando precisa ficar justificando o tempo todo que "sua função é ser imparcial, mas...

...mas fulano devia ser preso!"

...mas ciclano é um vagabundo, um *cita o nome de alguma doença ou transtorno mental*."

...mas está claro que era o certo a se fazer (sem explicar o porquê)."

Saiba que, se você faz isso, você não é nadinha diferente daquele jornalão ou jornaleco que você critica por ser oposto aos seus ideais; que calúnia, difamação e injúria são caracterizados como crime contra a honra e estão previstos no capítulo V do Título I da Parte Especial do Código Penal Brasileiro (artigos 138, 139 e 140, respectivamente) e ainda que não é nem um pouco respeitoso e muito menos responsável da sua parte relacionar qualquer comportamento que você reprova a um transtorno/ doença mental apenas para zombar ou ofender alguém.

Isso surgiu de uma reflexão após algumas aulas, nas quais um (a) professor (a) insiste em denegrir antigos clientes que eu tive, mesmo sem provas concretas sobre tudo o que ele (a) está dizendo, e também à equipe que trabalhava com eles - logo, me senti pessoalmente ofendida. Nem todos nós temos o privilégio de escolher com o que ou com quem vamos trabalhar, não é? Se fosse assim, aposto que este (a) professor (a) escolheria lecionar apenas àqueles que possuem o pensamento semelhante ao dele (a) - o que, claramente, não é o meu caso.

Em outro momento, fui obrigada a responder coisas que eu achava que eram absurdas em uma prova porque meu (minha) professor (a) achava que era certo. Em uma matéria que era puramente reflexiva, logo, na qual não deveria existir o certo ou o errado com exatidão. Mas nesse caso existia. E o certo era o que o (a) professor (a) achava que era certo.

Também me lembrei de um episódio perigoso em que um (a) professor (a) que tive no ensino fundamental ginasial me disse algo sobre uma determinada personalidade ser perseguida. Eu, que tinha 12 anos, não utilizava a internet e me informava através dos adultos que me cercavam e da televisão, tomei aquilo como uma verdade absoluta e só descobri que aquilo não era tão verdade assim quando, em 2013, com 18 anos, comecei a ler a respeito por conta da minha ocupação na época e passei a acompanhá-lo (a) de modo mais crítico através das redes sociais (foi quando percebi que o que eu havia escutado era mais algo ligado a convicções pessoais dele (a) do que com a matéria que estava sendo ensinada). Isso não causou nenhum estrago em mim. Mas eu vejo que causou e causa muito estrago em muitas pessoas o tempo todo.

Se eu guardei essa informação por tanto tempo e só fui averiguá-la anos depois porque meu trabalho exigiu, imagine o tanto de ingenuidade e ignorância que não há por aí? Pense nisso nos dias de hoje? Escuto crianças de menos de 11 anos reclamando de ocupantes de cargos do executivo, dá para pensar no tanto de porcaria que essas crianças ouvem o dia todo com um momento social, político e econômico tão delicado quanto esses tempos nos têm oferecido?

Isso é só mais um dos meus desabafos? Provavelmente, mas, na minha cabeça, um desabafo coerente. Não precisamos de mais doutrinação, isso já temos na TV, nos jornais, em livros didáticos. Precisamos de informação e suporte para o pensamento crítico real e não um pseudo-ensinamento que só vai acarretar mais discurso de ódio e polarização. E suporte não quer dizer conhecimento pronto, um professor precisa ter essa sensibilidade, uma vez que detém posição tão relevante, que influencia o pensamento das pessoas e, possivelmente, o que elas virão a se tornar no futuro.

A sala de aula não é um instrumento manuseado em benefício do seu ego, para que você se imponha de tal modo que consiga sentir algum poder sobre aquele grupo de pessoas, independente de suas idades. O professor não é um suserano e eu não sou um vassalo, não preciso de esmolas em troca de favores. Quero conteúdo, sapiência e suporte para aprimorar o meu conhecimento e não aceito nada aquém disso. Já dizia Roger Waters: "Não precisamos de controle mental. Chega de humor negro em sala de aula." E eu não sou apenas mais um tijolo na parede!





-

Observação: sobre o título - não tenho absolutamente nada contra padres ou religiões, sou cristã. Fiz apenas uma analogia entre o aprendizado de modo imparcial e o ensinamento religioso, dogmático. :)

O mito do trabalho dos sonhos


Em entrevistas de emprego, eu costumo dizer que minha "maior qualidade" pode ser também meu "maior defeito". Meu perfeccionismo e o nível de dedicação que eu emprego às coisas que eu faço usualmente geram trabalhos bem feitos, com equipes e relações completamente desgastadas e a minha pessoa num estado de cansaço inimaginável e qualidade de vida pior ainda.

Agora vem a parte surpreendente: isso acontece independente de eu gostar ou não do que estou fazendo. Alguns podem ver isso como algo positivo, outros como negativo, eu não sei exatamente em que ponto essa característica poderia estar definida.

Essa reflexão surgiu graças a uma postagem no facebook de uma colega empreendedora. Ela trabalhava em banco, ganhava um bom dinheiro e estava bem insatisfeita com a vida dela. Comentou que dormia tarde e acordava às 8h da manhã se arrastando para o trabalho e que nem a cor do esmalte que ela usava era da preferência dela, por causa das normas da empresa. Agora, ela tem o próprio negócio e ainda dorme tarde, mas pode escolher a cor do próprio esmalte e acorda às 5h30 da manhã para se exercitar feliz da vida, porque agora tem a vida que ela queria para ela.

Ao ler isso, fiquei pensando sobre essa ideia de "se ter a vida que sonha" e, consequentemente, na minha vida profissional. Eu sei, não precisa vir com "mas você ainda é jovem, está no começo da carreira e blá, blá, blá...". Mesmo tendo uma vida economicamente ativa relativamente curta, em algum momento, eu achei que tinha o emprego dos sonhos. Eu ganhava bem, fazia algo que eu gostava de fazer, enxergava a relevância do meu trabalho, via ele sendo aplicado na prática e aprendia muito todos os dias, conheci muita gente interessante e influente, além de me divertir com os colegas de trabalho. Em compensação, minha imunidade despencou, ficava doente todo mês, vivia de hambúrguer (que era o que dava pra comer na frente do PC) e com horários de refeições completamente aleatórios - tipo às 16h e depois às 3h da manhã, dormia pouco, cheguei a virar noites trabalhando e ir trabalhar no dia seguinte sem dormir, depois ir para a faculdade, etc (claro que eu dormia todos os dias no primeiro período, assisti pouquíssimas aulas de Psicologia do Consumidor por causa disso, mas consegui não pegar nenhuma DP), nessa época, também passei a consumir cerveja com alguma frequência, porque isso me deixava menos ansiosa, engordei uns 8 quilos e perdi contato com várias pessoas próximas (como já comentei aqui). Tentei complementos alimentares e simpatias para me manter acordada fora do trabalho, mas nada adiantava muito. Hoje, fico pensando no quão insuportável eu devia ser por só falar de trabalho naquela época, não que eu não fale agora, mas tento conversar com as pessoas sobre outras coisas que não eu mesma ou as coisas que eu faço. (Isso tá parecendo aquelas narrações do quadro Desabafo do programa da Márcia Goldschmidt na Band, mas ignore isso, estou falando sério, ok?)

Agora, minha rotina é um pouco menos perturbadora, pelo menos por enquanto - já que o TCC está apertando e as eleições estão chegando. Ainda tenho problemas com horários de refeições, mas tento comer porcarias com menos frequência e, apesar de trabalhar em horários em que eu devia estar fazendo qualquer outra coisa, eu procuro dormir mais e melhor do que em 2014, que foi essa fase perturbadora, mas, pessoalmente, instrutiva, que descrevi acima.

Cheguei no ponto em que eu queria do meu tipo de trabalho. Eu faço exatamente o que queria fazer desde que comecei nesse ramo e, às vezes, parece que a coisa estagnou. Sabe quando você finalmente chega lá e não era tudo aquilo que parecia ser? Então. Provavelmente a culpa é minha, eu devia me dedicar mais, mas não vejo como me dedicar mais a algo que eu cuido como se fosse meu. Essa semana mesmo engoli um combo do Mc Donald's na frente do computador para dar tempo de conseguir suprir as demandas repentinas que surgem durante o desenrolar do trabalho (me punindo mentalmente por estar comendo mal e também por não ser mais eficiente), mesmo depois de ter terminado todo o trabalho do dia no meio do expediente para adiantar o trabalho do dia seguinte, a fim de conseguir dar conta de tudo a semana toda. Sem mencionar o trabalho extra do domingo anterior.

Isso não é uma reclamação, estou apenas comparando as situações. Minha qualidade de vida é relativamente melhor atualmente que em 2014 e, em 2014, numa situação semelhante à da minha colega empreendedora, eu levantava 5h30, no máximo às 6h da manhã, feliz da vida para ir para a academia e depois ir trabalhar do outro lado da cidade e garantir que eu não chegaria atrasada. Eu preferia chegar 30 minutos mais cedo do que dez minutos depois que o relógio marcasse 9h. E se não fosse malhar antes do trabalho, ia depois da faculdade, era a última a sair, junto com a instrutora. Hoje em dia, eu sou aquela pessoa que levanta às 8h se arrastando e desejando que o relógio esteja mentindo a hora para poder dormir mais um pouquinho. O momento de satisfação do dia é, geralmente, na faculdade, quando alguma aula é realmente produtiva. Quando não, é só mais um dia e o prazer do dia provavelmente foi o horário de almoço e o de dormir.

Do contexto perfeito, acredito que eu já tenha desistido. Assim como na vida acadêmica, no trabalho nem tudo vão ser rosas. Mas parece que as coisas nunca vão se encaixar, quando está certo aqui, está errado ali e vice-versa. Sei que não sou a única que vive esse dilema. Gostaria de poder compartilhar e desfrutar de opiniões alheias à minha realidade para poder repensar melhor o assunto. Sei que ser astronauta, bombeiro, médico pode fazer parecer que se tem a vida mais legal do mundo quando, na verdade, ficar longe da sua família (ou de qualquer ser humano, em geral), não ser reconhecido, se arriscar, etc. também são problemas que outras pessoas com outras profissões enfrentam.